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As Partes no Processo Civil

 


ESTUDO Nº 15 ---

As Partes no Processo Civil ---

Quem pode participar de um processo judicial e quais são seus direitos e deveres ---

Por Esdras Dantas de Souza ---

 

Introdução: 

Imagine uma pessoa que sofreu um acidente de trânsito causado pela imprudência de outro motorista.

Ou um consumidor que pagou por um produto e nunca o recebeu.

Pense, ainda, em um proprietário que busca reaver a posse de um imóvel invadido.

Todos esses exemplos possuem algo em comum.

Em cada um deles existe alguém que procura a proteção do Poder Judiciário e alguém chamado a responder pela pretensão apresentada.

Esses sujeitos recebem, no Direito Processual Civil, a denominação de partes.

Embora essa palavra pareça simples, ela representa um dos conceitos mais importantes de toda a ciência processual.

São as partes que dão vida ao processo.

São elas que apresentam os fatos, produzem provas, formulam pedidos, exercem a defesa e aguardam a decisão judicial.

Sem partes não existe processo.

 

O que são as partes?

As partes são os sujeitos que ocupam os polos da relação processual.

De um lado encontra-se quem formula a pretensão perante o Poder Judiciário.

Do outro está quem é chamado para responder ao pedido.

Tradicionalmente, esses sujeitos recebem as seguintes denominações:

  • Autor: aquele que propõe a ação.
  • Réu: aquele contra quem a ação é proposta.

No decorrer do processo, ambos passam a exercer direitos, assumir deveres e participar ativamente da construção da decisão judicial.

 

Quem pode ser parte?

Em regra, toda pessoa que possua personalidade jurídica pode ser parte em um processo.

Assim, podem participar da relação processual:

  • pessoas físicas;
  • pessoas jurídicas de direito privado;
  • pessoas jurídicas de direito público;
  • associações;
  • fundações;
  • condomínios, nos casos previstos em lei;
  • espólio;
  • massa falida;
  • herança jacente;
  • outros entes expressamente autorizados pelo ordenamento jurídico.

A legislação também admite que determinados entes despersonalizados possam participar do processo quando a própria lei lhes confere essa possibilidade.

 

Capacidade para ser parte

Não basta existir juridicamente.

É necessário possuir capacidade para ser parte.

Essa capacidade corresponde à aptidão para ocupar qualquer dos polos da relação processual.

Em regra, toda pessoa natural adquire essa capacidade com o nascimento com vida.

As pessoas jurídicas a adquirem conforme sua constituição regular.

Trata-se de requisito essencial para a existência válida do processo.

 

Capacidade processual

Outro conceito importante é a capacidade processual, também chamada de capacidade para estar em juízo.

Ela representa a aptidão para praticar pessoalmente os atos do processo.

Nem todas as pessoas podem exercê-la diretamente.

Os menores de idade, por exemplo, comparecem ao processo por intermédio de seus representantes legais.

Da mesma forma, diversas pessoas jurídicas atuam por meio de seus administradores ou representantes regularmente constituídos.

Essa distinção costuma aparecer com frequência em provas de concursos públicos.

 

A representação por advogado

Como vimos no estudo anterior, a regra geral do Processo Civil brasileiro exige que as partes sejam representadas por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.

Essa exigência decorre da chamada capacidade postulatória.

Embora existam exceções previstas em lei, a representação técnica assegura maior equilíbrio entre os litigantes e contribui para o correto funcionamento da Justiça.

O advogado transforma os fatos narrados pelas partes em argumentos jurídicos capazes de serem apreciados pelo magistrado.

 

Direitos das partes

O Código de Processo Civil assegura às partes diversos direitos fundamentais.

Entre eles destacam-se:

  • igualdade de tratamento;
  • contraditório;
  • ampla defesa;
  • produção de provas;
  • acesso aos recursos previstos em lei;
  • obtenção de decisão fundamentada;
  • duração razoável do processo.

Esses direitos decorrem diretamente da Constituição Federal e constituem garantias indispensáveis ao devido processo legal.

 

Deveres das partes

Ao lado dos direitos, surgem importantes deveres.

As partes devem:

  • agir com boa-fé;
  • expor os fatos conforme a verdade;
  • evitar condutas abusivas;
  • cumprir as decisões judiciais;
  • colaborar para o regular desenvolvimento do processo.

O processo moderno não admite comportamento desleal.

A utilização da Justiça como instrumento de fraude ou de perseguição viola os princípios que sustentam o Estado Democrático de Direito.

 

A boa-fé processual

O Código de Processo Civil de 2015 conferiu especial importância ao princípio da boa-fé.

Todos os participantes do processo devem agir com honestidade, lealdade e respeito recíproco.

A boa-fé protege não apenas as partes.

Ela fortalece a confiança na própria Justiça.

Quando autor e réu atuam com responsabilidade, o processo torna-se mais eficiente, mais célere e mais justo.

 

A igualdade entre as partes

Um dos maiores compromissos do processo civil contemporâneo consiste em assegurar equilíbrio entre os litigantes.

O juiz deve tratar ambas as partes com absoluta imparcialidade.

Nenhuma delas pode receber privilégios incompatíveis com a Constituição.

Ao mesmo tempo, o próprio ordenamento jurídico admite medidas destinadas a compensar desigualdades reais, garantindo igualdade material e efetivo acesso à Justiça.

 

As partes e a cooperação processual

O processo moderno deixou de ser compreendido como uma disputa puramente adversarial.

O Código de Processo Civil prestigia o chamado princípio da cooperação.

Isso significa que juiz, advogados, partes, Ministério Público e auxiliares da Justiça devem atuar de maneira colaborativa para que a decisão seja justa, efetiva e proferida em tempo razoável.

Essa visão fortalece a confiança entre todos os participantes da relação processual.

 

O processo existe para as partes

À primeira vista, um processo pode parecer apenas um conjunto de documentos eletrônicos.

Na realidade, ele representa muito mais do que isso.

Cada processo contém histórias de vida.

Famílias.

Empresas.

Patrimônios.

Direitos fundamentais.

Projetos interrompidos.

Esperanças.

Por isso, o Direito Processual Civil nunca deve perder de vista que seu verdadeiro destinatário é o cidadão.

A técnica existe para proteger pessoas.

Jamais o contrário.

 

Uma palavra aos futuros operadores do Direito

Se você pretende seguir carreira jurídica, jamais enxergue autor e réu apenas como posições ocupadas em uma petição.

Cada parte representa alguém que decidiu confiar no sistema de Justiça.

Ouvir com atenção.

Tratar com respeito.

Atuar com urbanidade.

Preservar a dignidade de todos os envolvidos.

Essas atitudes revelam maturidade profissional muito antes da elaboração de qualquer grande tese jurídica.

 

Conclusão

As partes constituem o centro da relação processual.

São elas que provocam a atuação da jurisdição, apresentam suas pretensões, exercem a defesa e participam da construção da decisão judicial.

O Código de Processo Civil assegura-lhes direitos fundamentais, impõe deveres de boa-fé e cooperação e procura garantir igualdade de tratamento durante todo o processo.

Conhecer o papel das partes significa compreender que o processo civil existe para servir às pessoas, proteger direitos e fortalecer a confiança da sociedade na Justiça.

 

Lição do Professor

Ao longo de minha vida profissional, aprendi que nenhum processo começa em uma petição inicial.

Ele começa quando alguém decide confiar na Justiça.

Essa confiança constitui um dos maiores patrimônios do Estado Democrático de Direito.

Sempre procure olhar além dos documentos.

Atrás de cada processo existe uma história humana.

Existe alguém que espera ser ouvido, respeitado e tratado com dignidade.

O operador do Direito que jamais perde essa sensibilidade torna-se não apenas um excelente profissional, mas um verdadeiro servidor da Justiça.

 

Para fixar o aprendizado

1. O que são as partes no Processo Civil?

2. Quem ocupa, em regra, os polos ativo e passivo da relação processual?

3. Quem pode ser parte em um processo judicial?

4. O que significa capacidade para ser parte?

5. Qual a diferença entre capacidade para ser parte e capacidade processual?

6. O que é capacidade postulatória?

7. Quais são os principais direitos assegurados às partes pelo Código de Processo Civil?

8. Quais deveres decorrem da boa-fé processual?

9. Como o princípio da cooperação influencia a atuação das partes?

10. Por que se afirma que o processo civil existe para servir às pessoas?

 

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