Deveres das partes, despesas processuais e honorários: o que todo advogado precisa saber para atuar com segurança e estratégia no processo civil
Por Esdras Dantas de Souza
No processo civil brasileiro, não basta conhecer o direito
material.
É indispensável compreender — e cumprir — os deveres processuais.
Mais do que regras formais, esses deveres representam o compromisso
ético e jurídico das partes e de seus procuradores com a Justiça.
Ignorá-los não gera apenas prejuízo técnico.
Pode resultar em multas, condenações, perda de credibilidade e até
responsabilização profissional.
Neste artigo, vamos percorrer, de forma clara e prática, os
principais pontos sobre:
- Deveres
das partes e procuradores
- Despesas
processuais
- Honorários
advocatícios
- Gratuidade
da justiça
Tudo com base no Código de Processo Civil e na interpretação
consolidada dos tribunais.
Introdução: o processo como espaço de responsabilidade
O processo não é um campo de batalha sem regras.
Ele é regido por princípios como:
- Boa-fé
- Lealdade
processual
- Cooperação
Inspirados diretamente na Constituição Federal do Brasil de
1988, esses valores exigem das partes uma postura ativa e responsável.
O CPC não tolera mais a litigância predatória, abusiva ou
desleal.
Dos deveres das partes e de seus procuradores
O art. 77 do CPC estabelece deveres fundamentais que devem
ser observados por todos os sujeitos do processo.
Entre os principais, destacam-se:
✔ Dizer a verdade dos fatos
A mentira processual pode gerar penalidades e comprometer
toda a demanda.
✔ Não formular pretensões
infundadas
O Judiciário não pode ser utilizado como instrumento de
aventura jurídica.
✔ Não produzir provas inúteis ou
desnecessárias
O processo deve ser eficiente — não um labirinto
interminável.
✔ Cumprir decisões judiciais
Mesmo que a parte discorde, deve cumprir — e recorrer pelos
meios adequados.
✔ Não praticar atos que
dificultem a execução
Atos protelatórios são cada vez mais reprimidos.
Consequências do descumprimento
O descumprimento desses deveres pode gerar:
- Multas
processuais
- Indenização
por perdas e danos
- Responsabilização
por litigância de má-fé
E mais: pode afetar diretamente a credibilidade do
advogado perante o Judiciário.
Despesas processuais: quem paga a conta?
Outro ponto essencial diz respeito às despesas do processo.
Em regra:
Quem perde, paga.
Isso inclui:
- Custas
judiciais
- Despesas
com perícias
- Honorários
periciais
- Outras
despesas necessárias ao andamento do processo
Esse princípio está ligado à ideia de sucumbência,
que veremos a seguir.
Honorários advocatícios: remuneração e valorização da
advocacia
Os honorários advocatícios são um dos pilares da valorização
profissional.
O CPC reforçou sua importância ao estabelecer critérios mais
objetivos e rigorosos.
✔ Honorários de sucumbência
São pagos pela parte vencida ao advogado da parte vencedora.
✔ Fixação dos honorários
O juiz deve considerar:
- Grau
de zelo do profissional
- Lugar
da prestação do serviço
- Natureza
e importância da causa
- Trabalho
realizado
- Tempo
exigido
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou
o entendimento de que:
Os honorários devem ser fixados com respeito à dignidade
da advocacia — não podem ser irrisórios.
Honorários não são “bônus” — são direito
É importante deixar claro:
Honorários advocatícios têm natureza alimentar.
Ou seja:
- São
essenciais para a subsistência do advogado
- Não
podem ser tratados como acessório irrelevante
Essa compreensão fortalece a advocacia e eleva o nível do
sistema de Justiça.
Gratuidade da justiça: acesso à Justiça para todos
Nem todos têm condições de arcar com os custos do processo.
É nesse contexto que surge a gratuidade da justiça.
Prevista no CPC, ela garante que pessoas sem recursos possam
litigar sem comprometer sua subsistência.
✔ Quem pode pedir?
- Pessoas
físicas
- Pessoas
jurídicas (desde que comprovem necessidade)
✔ O que abrange?
- Custas
judiciais
- Despesas
processuais
- Honorários
periciais
Atenção: gratuidade não é salvo-conduto
A concessão da gratuidade não significa liberdade absoluta.
Se houver má-fé, o beneficiário pode:
- Perder
o benefício
- Ser
condenado ao pagamento das despesas
- Sofrer
penalidades adicionais
O Supremo Tribunal Federal reforça que:
O acesso à justiça deve ser garantido — mas não pode ser
instrumento de abuso.
Dica prática para advogados
Se você quer atuar com segurança e autoridade:
✔ Oriente bem seu cliente sobre
riscos financeiros
✔ Avalie a viabilidade da ação antes
de propor
✔ Evite pedidos infundados
✔ Documente corretamente pedidos de gratuidade
✔ Valorize e defenda seus honorários
Advocacia não é improviso.
É estratégia.
Conclusão: processo exige técnica — e responsabilidade
O CPC atual trouxe uma mensagem clara:
O processo civil brasileiro não admite mais atuação
irresponsável.
Deveres, despesas, honorários e gratuidade não são temas
isolados.
Eles formam um sistema que busca:
- Eficiência
- Justiça
- Equilíbrio
entre as partes
E, principalmente:
Respeito à advocacia
e ao cidadão.
Porque, no fim das contas, o processo não é apenas um
caminho jurídico.
É um instrumento de realização da Justiça.
Esdras Dantas de Souza
Advogado, Professor de Direito Processual Civil, Especialista em Direito Público Interno e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
www.abanacional.com.br
Série: Artigos apresentados aos associados da ABA para o
seu aperfeiçoamento.
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