Os Auxiliares da Justiça no Processo Civil: Quem São, Quais São Suas Funções e Por Que São Essenciais
ESTUDO Nº 18 ---
Os Auxiliares da Justiça ---
Os profissionais que tornam possível a prestação
jurisdicional ---
Por Esdras Dantas de Souza ---
Introdução ---
Quando pensamos no funcionamento da Justiça, é comum
imaginarmos apenas três personagens: o juiz, o advogado e as partes.
Entretanto, basta acompanhar uma audiência ou visitar um
fórum para perceber que a atividade jurisdicional envolve muito mais pessoas.
Antes que um processo seja julgado, inúmeras atividades
precisam ser realizadas.
Alguém recebe a petição inicial.
Alguém registra os autos.
Alguém expede mandados.
Alguém realiza citações e intimações.
Alguém elabora laudos técnicos.
Alguém conduz audiências de conciliação.
Sem esses profissionais, o Poder Judiciário simplesmente não
conseguiria cumprir sua missão constitucional.
É justamente por isso que o Código de Processo Civil dedica
atenção especial aos chamados auxiliares da Justiça.
Quem são os auxiliares da Justiça?
Os auxiliares da Justiça são profissionais que colaboram
diretamente com o Poder Judiciário na prática dos atos processuais e na
realização da atividade jurisdicional.
Eles não julgam.
Também não defendem interesses das partes.
Sua missão consiste em tornar possível o regular
desenvolvimento do processo.
Cada um exerce atribuições específicas previstas na
legislação.
Juntos, contribuem para que a Justiça seja prestada de forma
eficiente, organizada e segura.
A importância dos auxiliares da Justiça
Imagine um processo sem servidores.
Sem oficiais de justiça.
Sem peritos.
Sem conciliadores.
Sem mediadores.
Sem escrivães.
Mesmo que existissem juízes e advogados, dificilmente o
processo conseguiria avançar.
Os auxiliares representam o suporte técnico e administrativo
da atividade jurisdicional.
Sua atuação fortalece:
- a
eficiência;
- a
segurança jurídica;
- a
organização dos processos;
- a
efetividade das decisões judiciais.
O escrivão e o chefe de secretaria
Tradicionalmente, o escrivão — atualmente, em muitas
unidades, denominado chefe de secretaria ou diretor de secretaria — exerce
papel central na administração processual.
Compete-lhe organizar os autos, controlar prazos, expedir
certidões, praticar diversos atos administrativos e assegurar o regular
andamento do processo.
Grande parte da dinâmica cotidiana das varas judiciais
depende da atuação competente desses profissionais.
O oficial de justiça
Entre os auxiliares da Justiça, talvez o oficial de justiça
seja o mais conhecido pela população.
É ele quem cumpre mandados judiciais.
Realiza:
- citações;
- intimações;
- penhoras;
- avaliações;
- buscas
e apreensões;
- imissões
na posse;
- reintegrações
de posse;
- demais
diligências determinadas pelo juiz.
Seu trabalho leva as decisões judiciais para além dos
limites físicos do fórum.
O oficial de justiça representa o Poder Judiciário perante a
sociedade.
O perito
Nem todas as controvérsias podem ser resolvidas apenas com
conhecimento jurídico.
Em muitas causas torna-se necessária a participação de
especialistas.
É nesse momento que surge a figura do perito.
Pode tratar-se de:
- engenheiro;
- médico;
- contador;
- arquiteto;
- psicólogo;
- economista;
- profissional
de tecnologia;
- entre
outros especialistas.
Seu laudo fornece ao magistrado elementos técnicos
indispensáveis para a correta compreensão dos fatos.
O assistente técnico
Cada parte também pode indicar assistente técnico.
Sua função consiste em acompanhar os trabalhos periciais,
formular quesitos e apresentar pareceres.
Embora atue em favor da parte que o contratou, sua atuação
contribui para ampliar o debate técnico dentro do processo.
O depositário e o administrador
Em determinadas situações, bens apreendidos judicialmente
precisam ser preservados.
Para isso, a legislação prevê a figura do depositário.
Em casos mais complexos, poderá ser nomeado administrador
judicial, responsável pela gestão de determinados patrimônios ou atividades
durante o curso do processo.
O intérprete e o tradutor
O processo deve garantir pleno acesso à Justiça.
Quando alguma das pessoas envolvidas não domina a língua
portuguesa ou possui necessidades específicas de comunicação, poderão atuar
intérpretes e tradutores.
Sua presença assegura igualdade entre as partes e respeito
ao contraditório.
O conciliador
O Código de Processo Civil de 2015 valorizou
significativamente os métodos consensuais de solução de conflitos.
O conciliador atua principalmente quando ainda não existe
vínculo anterior relevante entre as partes.
Seu objetivo consiste em aproximá-las e estimular a
construção de um acordo.
Mais do que solucionar processos, busca restaurar o diálogo.
O mediador
O mediador também atua na solução consensual dos conflitos.
Entretanto, sua atuação costuma ocorrer quando existe
relação continuada entre os envolvidos.
É muito frequente em conflitos familiares, empresariais e
comunitários.
Ao invés de apresentar soluções prontas, o mediador facilita
a comunicação para que as próprias partes construam o consenso.
A tecnologia e os novos auxiliares da Justiça
O Poder Judiciário brasileiro passou por profunda
transformação digital.
Processos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de
automação e plataformas digitais modificaram a rotina forense.
Mesmo nesse novo cenário, os auxiliares da Justiça continuam
exercendo papel essencial.
A tecnologia amplia sua eficiência, mas não substitui o
discernimento humano, a responsabilidade funcional e o compromisso ético.
Todos trabalham pela mesma finalidade
Embora exerçam funções distintas, todos os auxiliares da
Justiça compartilham um mesmo objetivo.
Contribuir para que o cidadão receba uma prestação
jurisdicional eficiente, segura, célere e compatível com os princípios
constitucionais.
Cada ato praticado por esses profissionais aproxima o
processo de sua finalidade maior: realizar a Justiça.
Uma palavra aos futuros operadores do Direito
Ao iniciar sua carreira jurídica, trate sempre com respeito
todos os profissionais que atuam no sistema de Justiça.
Valorize o trabalho dos servidores.
Reconheça o esforço dos oficiais de justiça.
Respeite o conhecimento técnico dos peritos.
Coopere com conciliadores e mediadores.
Nenhum grande processo é construído por uma única pessoa.
A Justiça é resultado da atuação coordenada de inúmeras
mãos.
Conclusão
Os auxiliares da Justiça constituem parte indispensável da
estrutura do Poder Judiciário.
Seu trabalho silencioso permite que os processos avancem,
que as provas sejam produzidas, que as decisões sejam cumpridas e que os
direitos reconhecidos pelo juiz alcancem efetivamente o cidadão.
Mais do que exercer funções administrativas ou técnicas,
esses profissionais contribuem diariamente para fortalecer a confiança da
sociedade na Justiça.
Conhecer sua atuação significa compreender que a prestação
jurisdicional é fruto do esforço coletivo de pessoas comprometidas com a
realização do Direito.
Lição do Professor
Ao longo de mais de quatro décadas convivendo diariamente
com o sistema de Justiça, aprendi que os grandes resultados raramente são obra
de uma única pessoa.
Os melhores juízes valorizam seus servidores.
Os melhores advogados respeitam os oficiais de justiça.
Os melhores membros do Ministério Público reconhecem o
trabalho dos peritos.
Os grandes profissionais compreendem que a Justiça é
construída coletivamente.
Nunca subestime o trabalho daqueles que atuam nos
bastidores.
Muitas vezes, é justamente o cuidado desses profissionais
que permite ao juiz proferir uma decisão segura e ao cidadão confiar na
Justiça.
Para fixar o aprendizado
1. Quem são os auxiliares da Justiça?
2. Qual a principal função dos auxiliares da Justiça
no Processo Civil?
3. Quais atividades são desempenhadas pelo chefe de
secretaria?
4. Qual é o papel do oficial de justiça?
5. Em quais situações o juiz nomeia um perito?
6. Qual a diferença entre perito e assistente
técnico?
7. Quando atuam conciliadores e mediadores?
8. Qual a importância do intérprete e do tradutor
para o devido processo legal?
9. Como a tecnologia modificou a atuação dos
auxiliares da Justiça?
10. Por que se afirma que a prestação jurisdicional é
resultado de um trabalho coletivo?
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